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Colunas - De Brasília
De Brasília
Acioli Antônio de Olivo é pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Tubaronense, estudou no Colégio Dehon e é doutor em Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Atualmente é Assessor Parlamentar do INPE em Brasília.

Brasil, potência ambiental do século XXI. E Tubarão?

22/07/2008

Na semana passada ocorreu, em Campinas, SP, a 60ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. O tema principal da reunião foi “energia e meio ambiente”, em torno do qual se discutiram alternativas de desenvolvimento sustentável, sempre se levando em conta a preservação do meio ambiente. Em Campinas, ficamos sabendo de inúmeras ações, por parte do poder público, das universidades, da iniciativa privada e de escolas secundárias, no sentido de se encontrar soluções para o crescente desafio de continuarmos a nos desenvolver, mantendo-se o equilíbrio com a Natureza. O prêmio José Reis, que distingue jovens cientistas e estudantes de escolas secundárias, este ano revelou o espraiamento da idéia preservacionista por todos os rincões de nosso país, com trabalhos premiados oriundos de municípios que nem mesmo sabíamos da existência. Ou seja, a consciência de termos um mundo melhor para nossos filhos e netos não está circunscrito às grandes metrópoles. O Brasil não pertence ao G8, clube das 8 nações mais desenvolvidas economicamente, mas somos o único país que possui um sistema de monitoramento do desmatamento das nossas florestas (o PRODES e o DETER, realizados pelo INPE desde a década de 80). Possuímos inúmeros cientistas empenhados em estudar os efeitos do Aquecimento Global e as conseqüências perversas das mudanças climáticas, que no sul do Brasil tem causado fenômenos freqüentes como o aparecimento de ciclones e até de um furacão. E possuímos uma base científica na Antártica, cujos experimentos auxiliam o entendimento dos diversos fenômenos metereológicos que afetam o planeta. E ao contrário das grades potências temos um compromisso por parte de nossos governante de redução das emissões de CO2. Se houvesse um hipotético clube dos países ambientalmente mais avançados, certamente nosso país estaria em um G4.

Entretanto, parece que Tubarão não se alinha à esta corrente preservacionista. Estou na cidade em férias e ao realizar uma caminhada ao longo das margens do rio Tubarão fiquei negativamente surpreendido. O rio Tubarão, que um dia inspirou o poeta Virgílio Várzea a cognominar nossa cidade como “Cidade Azul”, ao ver o céu refletido em suas límpidas águas, hoje nos causa tristeza e decepção. Além dos problemas causados pela poluição derivada da mineração, resíduos da suinocultura, da atividade agrícola e pelo lançamento de esgoto não tratado em suas águas, salta aos olhos dos transeuntes o péssimo estado de conservação de suas margens. Próximo às pontes centrais, quantidades imensas de lixo de todos os tipos entulham as margens: garrafas e copos de plástico, sacos de lixo, cadeiras e sofás, bem como outros utensílios domésticos podem ser encontrados lá, conforme podem ser verificadas pelas fotos que eu mesmo fiz. Obviamente que tal fato revela a falta de educação de quem utiliza o rio como sua lixeira particular, mas demonstra, de maneira inequívoca, o descaso do poder público municipal na educação, fiscalização e repressão à ação destes vândalos ambientais. E autoridades que compactuam com atitudes tão nefastas como estas, certamente não podem se arvorar em guardiões de qualquer bem público.

Notei também, que debaixo de uma das cabeceiras da ponte Nereu Ramos, pessoas estão lá morando em condições sub-humanas, fazendo fogueiras, colocando em risco a estrutura da ponte e dos dutos de energia e de água. Nunca é demais lembrar, que em passado recente, um viaduto na marginal Tietê, em São Paulo, foi interditado, por razões semelhantes ao que está acontecendo em Tubarão.

Por último, mas de relevante importância, soube que nas últimas semanas ocorreram três assassinatos nas margens do rio Tubarão, supostamente por um “esquadrão da morte” que agiria contra envolvidos com drogas. Não bastassem acolher os detritos da cidade, agora também as margens do rio estaria sendo local de desova de cadáveres. Feliz foi Virgílio Várzea, que só teve do rio Tubarão a visão paradisíaca que um dia lhe inspirou a frase que se perpetuou até hoje.

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